Já há algum tempo a ciência e a espiritualidade tem caminhado juntas e, geralmente,
aceitam que a consciência humana apresenta diversas dimensões.
Somente com o desenvolvimento de cada uma delas, atingiremos a nossa
realização plena e a evolução pessoal, enquanto ser humano e também coletiva, como
civilização humana no Planeta Terra.
Inegavelmente existem muitas fontes onde buscar o saber, além daquelas
oferecidas pelo processo educacional tradicional, dentre as quais destaca-se a
internet.
O “pulo do gato” é transformar a grande quantidade de informações
existentes em conhecimento útil.
Essa é a justificativa essencial para a necessidade de se realizar
doutrinas nos Terreiros de Umbanda.
Atrevo-me a afirmar que, em plena “Era do Conhecimento”, não se
justifica a figura do Médium ignorante, o crente fervoroso que em tudo
acredita, sem qualquer senso crítico. Da mesma forma, não pode, em hipótese
alguma, existir o desconhecimento do Médium sobre a sua religião, desde a sua
origem, passando por aspectos ritualísticos e litúrgicos, e até os desafios que
se apresentam para a sua expressão de Fé.
A realização do ser, por inteiro, é um caminho de autoconhecimento que
obrigatoriamente deve incluir as raízes espirituais e a herança ancestral, que
são as formas de acessar o conhecimento mais profundo de cada um e com ele
construir uma base sólida para a evolução.
Portanto, as obras materiais para dotar os Terreiros de Umbanda de uma
infraestrutura física que possa acolher com o devido conforto os seus
dirigentes, médiuns, simpatizantes e assistência são importantes.
Mas, também são tão importantes as obras espirituais, e dessa forma
avalio como imprescindíveis as doutrinas, oferecendo a formação para os Dirigentes,
Médiuns e Simpatizantes da Umbanda.
Entretanto, a construção do conhecimento se dá coletivamente, onde nunca
só se ensina, tampouco só se aprende, as duas acontecem simultaneamente numa
troca de saberes que leva todos os envolvidos no rumo do desenvolvimento e da
evolução continuada.
Dessa forma, acredito, devam ser ministradas as doutrinas nos Terreiros
de Umbanda, de um lado os dirigentes ensinando aquilo que os Médiuns “devem e
precisam saber” e de outro, o que “desejam” aprender.
Contudo, devemos atentar para a situação especial que nos defrontamos no
Terreiro, uma vez que o público alvo é composto por adultos já formados, com a
mais diversa origem e com muitos saberes já acumulados, e assim, requerem uma
didática específica, diferente daquela utilizada com as crianças.

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