Os Pretos e as Pretas
Velhas, com Caboclos e Erês, são parte importante do tripé de sustentação
astral da Umbanda, e com certeza são as mais carismáticas das Entidades que auxiliam
os trabalhos de caridade nos Terreiros de Umbanda.
A sua importância
incontestável é fruto de condições e circunstâncias que ocorreram
exclusivamente em terras brasileiras, haja vista os quase 4 séculos de tráfico
negreiro.
Simbolicamente
representam o terceiro estágio evolutivo da vida encarnada, a idade avançada, e
trazem a resiliência, a paciência e o segredo de uma vida longa através da sua
sabedoria acumulada, apesar do sofrimento vivido no cativeiro.
Com a sua Fé nos Orixás
puderam suportar as amarguras da vida, e, como consequência são Guias de muita
experiência e de elevada sabedoria, trazendo a esperança aos anseios dos
assistidos que os procuram para amenizar as suas dores.
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Ligados a vibração de
Omolu, os Pretos e Pretas Velhas são mandingueiros poderosos, sentados no
toco, fumando o seu cachimbo, benzendo com seu ramo de arruda, rezando com
seu terço, oram contra o baixo astral e com a suas baforadas realizam a limpeza
espiritual e harmonizam as vibrações de Médiuns e Assistidos. Nos ensinam a
importante lição de humildade e resignação diante das provas da vida, sem
perder a alegria e o bom humor. É muito comum ouvir deles observações engraçadas
a respeito dos problemas. E assim, simplificando o que parecia complicado,
fortalecem psicologicamente os consulentes, para que não fraquejemos, uma vez
que os problemas se tornam maiores e não suportaremos o fardo. |
A falange dos Pretos - Velhos guarda sinais
particulares e individuais da origem dos elementos que a compõem. Antigos
escravos, estes ainda conservam certas designações que denunciam de qual nação
ou tribo africana eram oriundos. Assim encontramos Pai Tião D’Angola, Vovó
Maria Conga, Vovô Cambinda, Pai Joaquim de Aruanda, Pai Zeca da Candonga, todos
com uma característica comum: a bondade e a doçura com que tratam os fiéis que
os consultam, procurando um alívio para suas aflições.
Pai Antônio foi o
primeiro preto-velho a se manifestar na Religião de Umbanda em seu médium Zélio
Fernandino de Morais onde se estabeleceu a Tenda Nossa Senhora da Piedade.
Assim, ele abriu esta "linha” para nossa religião, introduzindo o uso do
cachimbo, guias e o culto aos Orixás.
O
"Preto-Velho" está ligado à cultura religiosa Afro Brasileira em
geral e à Umbanda de forma específica, pois dentro da Religião Umbandista este
termo identifica um dos elementos formadores de sua liturgia, representa uma
“linha de trabalho", uma "falange de espíritos", todo um grupo
de mentores espirituais que se apresentam como negros anciões, ex-escravos,
conhecedores dos Orixás Africanos.
São trabalhadores
da espiritualidade, com características próprias e coletivas, que valorizam o
grupo em detrimento do ego pessoal, ou seja, são simplesmente pretos e pretas
velhas como Pai João e Vó Maria, por exemplo.
São milhares de Pais João
e de Avós Maria, o que mostra um trabalho despersonalizado do elemento
individual valorizando o elemento coletivo identificado pelo termo genérico
"Preto-Velho". Muitos até dizem "nem tão preto e nem tão
velho" ainda assim "preto velho fulano de tal". A falta de
informação é a mãe do preconceito, e, no caso do "Preto-Velho",
muitos que são leigos da cultura religiosa Umbandista ou de origem africana
desconhecem valor do "Preto-Velho" dentro das mesmas.
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Preto é Cor e
Negro é Raça, logo o termo "Preto-Velho" torna-se característico e
com sentido apenas dentro de um contexto, já que fora de tal contexto o termo
de uso amplo e irrestrito seria "Negro Velho", "Negro
Ancião" ou ainda "Negro de idade avançada “para identificar o homem
da raça negra que se encontra já na "terceira idade" (a melhor
idade). Por conta disso alguns se sentem desconfortáveis em utilizar um termo
que à primeira vista pode parecer desrespeitoso ao citar um amável senhor
negro, já com suas madeixas brancas, cachimbo e sorriso fácil, por trás do
olhar de homem sofrido, que na humildade da subjugação forçada e escrava
encontrou a liberdade do espírito sobre a alma, através da sabedoria vinda da
Mãe África, na figura de nossos Orixás, vindo ao encontro da imagem e
resignação de nosso Senhor Jesus Cristo. |
Alguns preferem
chamá-los apenas de "Pais Velhos" o que é bonito ao ressaltar a
paternidade, mas ao mesmo tempo oculta a raça que no caso é motivo de orgulho.
São eles que souberam passar por uma vida de escravidão com honra e nobreza de
caráter, mais um motivo de orgulho em se autoafirmar "nêgo véio" e
ex-escravo; talvez assim se mantenham para que nunca nos esqueçamos que em qualquer
situação temos ainda oportunidade de evoluir. Quanto mais adversa maior a
oportunidade de dar o testemunho de nossa fé.
O
"Preto-Velho" é um ícone da Umbanda, resumindo em si boa parte da
filosofia umbandista. Assim, os espíritos desencarnados de ex-escravos se
identificam e muitos outros que não foram escravos, nesta condição, assim se
apresentam também em homenagem a eles, por tê-los como Mestres no astral.
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No imaginário popular,
por falta de informação ou por má fé de alguns formadores de opinião, a
imagem do "Preto-Velho" pode estar associada por alguns a uma visão
preconceituosa, há ainda os que se assustam "com estas coisas",
pois não sabem que a Umbanda é uma religião e como tal tem a única proposta
de nos religar a Deus, manifestando o espírito para a caridade e
desenvolvendo o sentimento de amor ao próximo. Não existe uma Umbanda
"boa" e uma Umbanda "ruim", existe sim única e
exclusivamente uma única Umbanda que faz o bem, caso contrário não é Umbanda
e assim é com os "Preto-Velhos", todos fazem o bem sem olhar a
quem, caso contrário não é de fato um "Preto-Velho", pode ser
alguém disfarçado de "velho-negro", o "preto velho” trabalha
única e exclusivamente para a caridade espiritual. |
São espíritos que se
apresentam desta forma e que sabem que em essência não temos raça nem cor, a
cada encarnação, temos uma experiência diferente. Os Pretos-Velhos trazem
consigo o "mistério ancião", pois não basta ter a forma de um velho,
antes, precisam ser espíritos amadurecidos e reconhecidos como irmãos mais
velhos na senda evolutiva.
Quanto menos valor se dá
a forma, mais valor se dá à mensagem, e "Preto-Velho" fala devagar,
bem baixinho; quando assim se pronuncia, todos se aquietam para ouvi-lo,
parece-nos ouvir na língua Yoruba a palavra "Atoto", saudação a
Obaluayê que quer dizer exatamente isso: "silêncio".
Nas culturas antigas o
"velho" era sempre respeitado e ouvido como fonte viva do
conhecimento ancestral. Hoje ainda vemos este costume nas culturas indígenas e
ciganas. Algumas tradições religiosas mantêm esta postura frente o sacerdote
mais velho, trata-se de uma herança cultural religiosa tão antiga quanto nossa
memória ou nossa história pode ir buscar, tão antigos também são alguns dos
pretos velhos que se manifestam na Umbanda.
Muitos já estão fora do
ciclo reencarnacionista, estão libertos do karma, já desvendaram o manto da
ilusão da carne que nos cobre com paixões e apegos que inexoravelmente ficarão
para trás no caminho evolutivo.

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