Na literatura espírita, o termo "animismo" é usado para designar um tipo de fenômeno produzido pelo próprio espírito encarnado, sem que este seja um instrumento mediúnico da ação espiritual e sim o artífice dos fenômenos em questão.
De forma mais específica,
outros autores, a citar Therezinha Oliveira, costumam utilizar-se desta
nomeação para designar o fenômeno em que o médium revive suas próprias
recordações do pretérito, expressando-as muitas vezes nas próprias reuniões
mediúnicas.
Por ser ele o autor das
palavras ditas, este fenômeno anímico muitas vezes é mal visto devido à
possibilidade de mistificação e pela ausência do espírito comunicante, não
sendo, desta forma, um fenômeno mediúnico.
Para melhor entendimento
desse fenômeno, podem-se usar as denominações utilizadas pelo pesquisador
espírita Hermínio
C. Miranda, quais sejam,
a de chamarmos o espírito, que, segundo o espiritismo, em sua existência infinita, tem um número incontável de experiências
na matéria, de individualidade, enquanto cada uma das existências do mesmo
é uma personalidade.
Dessa forma, admitida a
pluralidade das existências, conclui-se que a individualidade deve possuir um
conhecimento imensamente superior ao de cada uma de suas personalidades, pois
soma ao conhecimento da atual personalidade tudo o que aproveitou das que
representou nas existências pregressas.
Todavia, estas palavras
não devem ser interpretadas como sendo uma personalidade isolada, diversa em
cada existência física.
O espírito é artífice de
si mesmo, e progride continuamente, a partir das experiências encarnatórias,
apresentando uma ascensão moral e intelectual contínua que se soma a cada
encarnação.
Desse modo, na
manifestação anímica, o médium pode expressar muitos conhecimentos que ele,
enquanto encarnado, não possui.
Daí decorre, muitas vezes,
que não há como se saber se uma manifestação é anímica ou realmente mediúnica,
ocorrendo esta última tão somente quando o espírito que se comunica não é o que
está encarnado, ou seja, não é o médium, e sim uma individualidade
desencarnada, um espírito.
Os fenômenos espíritas
(produzidos por um espírito) podem ser divididos em dois grupos: os fenômenos
anímicos (quando é produzido pelo encarnado, com suas próprias faculdades
espirituais, sem o uso dos sentidos físicos, graças à expansão de seu
perispírito; os fenômenos mediúnicos, produzidos por um espírito por intermédio
do médium. Ainda segundo Therezinha de Oliveira, quanto maior o grau de
expansão do perispírito, mais expressivo poderá ser o fenômeno anímico, pois o
encarnado poderá desfrutar mais de maior liberdade em relação ao corpo,
passando a atuar mais como um espírito liberto.
Entretanto, mostra-se difícil
separar o fenômeno anímico do mediúnico, pois:
·
São as próprias capacidades anímicas dos médiuns que os fazem
instrumentos para a atuação dos espíritos;
·
Nem sempre podemos definir, com precisão, se o fenômeno está ou não
sendo provocado ou coadjuvado por espíritos. Na grande maioria das vezes, o que
ocorre é um estado intermediário com maior ou menor participação do espírito
encarnado no médium em relação ao espírito desencarnado que por ele se
expressa.

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